~Outras Penas~

corinthians

Certa vez tive uma namorada que era uma das corintianas mais fanáticas que eu já vi. Falo sério, ela fazia aquele conhecido e até mesmo caricato estilo de “corintiana, maloqueira e sofredora, graças a Deus!”. Nós nos conhecemos através do esporte. O ano era 2011, no meu peito havia uma certa tristeza, o maior ídolo que já tive no futebol estava pendurando as chuteiras. Como eu poderia me expressar apenas através de meus textos, escrevi sobre ele, sobre a alegria de tê-lo visto usar a camisa do meu clube de coração, por ter sido um monstro, por ter sido um fenômeno. E quem diria que apenas um texto meu pudesse correr tanto? Correu tanto que chegou até ela. O que veio depois? Algumas conversas, o começo de uma amizade e bom, meses depois, no Pacaembu, antiga casa alvinegra e meu eterno lar, estavámos nós, namorando e já de alianças nas mãos e com centenas de planos na cabeça.

Porém, apesar da paixão que cultivávamos pelo Corinthians, só pudermos ir realmente a um jogo no ano seguinte, contra o São Caetano. O jogo foi daqueles sofridos, teve lances bizarros, teve chuva, teve muita chuva, tiveram quatro gols e… Pena que não foram todos pró Corinthians. O resultado foi um empate, um casal molhado em uma tarde de domingo em pleno Pacaembu e um sorriso sem tamanho no rosto dela.

Deixamos de ser “pé-frio” apenas um tempo depois em outro jogo no Pacaembu. O sorriso dela, novamente, era algo que não poderia descrever, era preciso estar lá para ver.

2012 foi um ano atípico. O Corinthians conquistou a Libertadores contra o Boca e de forma invicta, bateu o Chelsea no mundial e, olha só, eu ainda estava namorando! E com a mesma fanática torcedora.

Em 2013, a queda foi acontecendo de forma sorrateira, não parecia ser grande coisa, mas sabíamos que após chegarmos ao topo, o difícil seria se manter lá. E não nos mantivemos. Nem o Corinthians e muito menos o meu relacionamento.

Depois da Recopa contra o São Paulo, não tivemos mais como esconder. A queda estava ali, avassaladora. Meses depois tivemos o nosso primeiro término. Sofrido, doloroso. Da mesma forma como foi ver o time do ano anterior, campeão da Libertadores e do Mundial se arrastar em campo.

Voltamos, ainda em 2013. As coisas não estavam boas, mas seguíamos como poderíamos. O Corinthians e o meu relacionamento.

2014 começou. Era O ano. O ano da virada. E virou. O segundo término. Doloroso, triste e sem sentido, da mesma forma que era ver o Mano Menezes comandando o Corinthians. Porém, como corintianos, teimosos com o “destino”, voltamos mais uma vez. Foi um 7×1. Houve uma grande fase, mas depois, um “apagão” de cinco minutos e lá estávamos, entregues, sem forças e sem saber o que acontecia. O último término.

A casa nova, tanto da minha ex-namorada (que agora vive em outro estado) e a casa do Corinthians, surtiram seus efeitos de reconstrução. O problema de uma reconstrução é que para que ela aconteça, muita coisa precisa ser removida, demolida, esquecida.

Me reconstruí. Entrei em 2015 com o pensamento firme de que as coisas seriam diferentes para mim, que o mundo seria outro e que a Libertadores seria nossa. Mal sabia eu que haveriam pedras e um Guaraní pelo caminho.

Hoje? Estou como o Corinthians, para variar. Vivo grandes momentos, alterno com péssimos momentos… Em casa, pra minha família e amigos, mostro força, arrebento. Fora de casa, vez ou outra, escorrego, erro, mas sigo firme.

Esse texto não fará sentido para muitos, mas sempre fará todo o sentido do mundo para mim. Hoje, quando entro no novo estádio, na nova casa corintiana, olho aquele mar de gente, as vezes chego a pensar que ela também está ali, mas não mais comigo.

Assim é um amor que nasce pelo que acontece dentro das quatro linhas de um campo de futebol. É intenso, cheio de altos e baixos, empolga, leva 7×1, mas não deixa a bola parar de rolar. E se ela para de rolar… Sempre existirá um próximo jogo.

Eu e minha ex podemos não nos ver mais, mas não haverá um só dia que eu veja um jogo do Corinthians, seja em casa, no bar, na padaria, no restaurante, na Arena e não me lembre dela. E que eu não me lembre de nós e dos nossos melhores dias.

É curioso, mas as vezes me pego imaginando se ela pensa o mesmo que eu. Provavelmente não, mas o que importa é que no final das contas, minha história com ela sempre vai ter dois amores em uma só narrativa.

Obrigado Corinthians por ter me apresentado a ela, uma pessoa que assim como você, me fez crescer, seja com as dores de uma derrota ou com as alegrias de uma vitória. Hoje, o mundo gira, a bola roda, o Corinthians continua a jogar e o meu coração, a bater. Dessa vez, porém, sozinho.

Vai Corinthians!

PS: Alguém se lembra da época em que eu sempre postava textos inspiradores de outras pessoas, por isso o nome “outra penas” ? Esse é um texto inspirador sobre futebol e amor de um amigo não identificado.

Espero que gostem!

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2 pensamentos sobre “~Outras Penas~

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