Carreira: Por valor ou por amor? -GiouGiou, Café e Purpurina

Recebam com carinho a nova integrando da equipe do blog, a Giou que vai falar sobre vários assuntos diferentes duas vezes por mês!

No ano que eu completei meus catorze, dois anos atrás, minha vida mudou completamente. Mudei de casa, de cidade, de escola e ‘de eu mesma’. Eu morava em uma cidade metropolitana do estado do Rio e de repente me vi quase no interior.

Cheguei aqui com o desejo da medicina. Fui matriculada por meu pai em uma escola que me desse suporte para conquistar a minha tão sonhada vaga e me tornar alguém como Meredith Grey, Cristina Yang ou Alex Karev. Assistia fascinada a ‘Grey’s Anatomy’ e ‘House’, e realmente achava que a vida de médico era aquilo ali. Nos primeiros dias de aula do meu então nono ano fundamental eu já desfilava pelos corredores com meu uniforme escrito ‘MEDICINA’. Os professores entravam na sala e naquela atividade rotineira de início de ano eu respondia: ‘Meu nome é Giovanna, eu tenho catorze anos e quero fazer medicina’. Essa vontade já me preenchia há algum tempo, uns dois anos talvez.

O meu coração, na verdade, sempre me disse para eu ser professora; desde muito pequena ser professora era a minha brincadeira favorita. E nesse início de dois mil e quinze, eu comecei a ver que era uma coisa difícil, sim, mas muito legal e recompensadora. Comecei a perceber que eu era muito mais feliz quando alguém me pedia ajuda em matemática ou história do que quando eu me imaginava de jaleco, em meu consultório e com muito dinheiro. É, eu nunca revelei isso para ninguém, mas o dinheiro era parte dos meus motivos, e grande parte desses, para que me tornasse médica.

Nesse mesmo ano, eu comecei a ler muito e pesquisar também, e comecei a ver que a vida não era do jeito que eu idealizava, muito menos o mundo. A minha sede por mudança começou a incomodar, e eu conclui que a melhor forma de mudar qualquer coisa é pela educação.

Não foi nessa época que História se tornou minha matéria favorita, mas foi nesse ano que eu conheci o professor – de História – que mudou a minha vida. Ademir Corguinha é um cara barbudo e maneirinho, que me abriu os olhos para as desigualdades sociais e para as coisas ruim e boas do magistério, a carreira mais linda e digna que alguém pode escolher, ou ser escolhido por, como eu.

Quando eu conto essa história para qualquer um, me chamam de louca, dizem-me que eu vou passar fome, que eu sou nova e ainda posso mudar para outra coisa ou até mesmo que isso é doutrinação marxista do meu professor, mas não galera, não! Já está, e como está, feio isso tudo.

Quando se escolhe ou é escolhido para seguir carreira na educação, tem-se que estar disposto para lutar; ser professor é uma batalha diária, é todo dia levantar da cama para fazer a revolução e mudar o mundo. Se não for assim, nem precisa por o despertador. Ser ‘professoranda’ é acreditar no poder da mudança e da reabilitação social.

Infelizmente, nem tudo são flores. Ser professor é ser desvalorizado todos os dias – pelos alunos, pelos pais dos alunos e pelo sistema. É fazer greve e ser agredido por protestar em busca dos seus direitos, é ter que se moldar a um sistema de ensino do século XIX, e ai se não o fizer! Doutrinador! Esquerdopata! Petralha!

Eu escolhi ser professora por ideologia, e por ela eu vou lutar. Porque “quando se nasce pobre, ser inteligente é o maior ato de rebeldia contra o sistema”.

HistoUFF 2019.1, lá vou eu!

Um beijo, um abraço, fui!

GiouGiou =)

gio

Giovanna Abraçado Quitete tem dezesseis verões completos, é papagoiaba, nascida na Grande Rio de Janeiro, seu apelido favorito é ‘GiouGiou’ e sonha – e vai – ser professora de História. Gosta de ler, de ouvir Elis Regina e de visitar museus. No Instagram ela é @ggquitete, no Twitter ela também é @ggquitete e no Snapchat é só tirar o @ e ela é ggquitete.

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